Eu Sou Clichê

sábado, agosto 26, 2006

“O circo é imorredor”, Tonny Ramos no Programa Altas Horas. Acho que ele quis dizer que o circo é imorredouro, ou imortal, para não assustar tanto o ouvido do expectador.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Sonic Youth (Rather Ripped) - O Sonic Youth está mais comercial nesse CD. Não é necessário mais do que uma audição para gostar de “Rather Ripped”. Tem muita gente dizendo que dos últimos Cds da banda, esse é o melhor; eu acho “Sonic Nurse”, de 2004, melhor. Destaque para a excelente “Incinerate”, e “Sleepin Around”.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Dirty Pretty Things (Waterloo To Anywhere) - Por causa de pressões movidas pelos advogados de Pete Doherty, o The Libertines teve que trocar de nome. Passou a se chamar Dirty Pretty Things. Pete Doherty era vocalista e guitarrista do Libertines, e foi afastado da banda devido ao seu envolvimento com drogas. “Waterloo To Anywhere” segue a mesma linha dos dois álbuns anteriores do Libertines, mas é mais áspero, sujo; a influência do The Clash continua notória. Não é melhor do que o primeiro álbum do Libertines, “Up The Bracket” (que, aliás, ficou em décimo no lugar na mesma lista do NME em que o Arctic Monkeys ficou em quinto), mas é bem melhor do que o álbum do Babyshambles, a atual banda de Pete Doherty. Destaque para as faixas “Bang Bang You're Dead”, “The Gentry Cove”, e “Deadwood”.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Lula, o feio

O Lula provavelmente é o presidente mais feio que se tem notícia, tirando os árabes. Ele perdeu uns quilinhos e conseguiu ficar ainda mais feio. Agora, com o rosto chupado, está parecendo um lobisomem. O presidente bem que tentou ficar mais bonito, arrumou os dentes, colocou botox, mas não deu; devia ter cortado um pouco das orelhas também.

O Zé do Caixão teria no Lula o personagem perfeito para seus filmes. Perdeu essa Zé. O presidente não quis saber de ser dirigido por você e foi cometer os crimes trashs dele lá em Brasília, sob direção daquela quadrilha toda. É trash, no caso, porque foi feito com poucos recursos. Poucos recursos intelectuais. Aquilo ninguém poderia ter descoberto. Só os fracos são descobertos. Mas Lula teve mais sorte do que seu adversário maldito, o Collor, por não ter sido cassado. Foi tudo parecido, a diferença é que Collor não tinha a cara humilde e sofrida do presidente. De gente bonita todos têm inveja, de gente feia, pena.

Se o Lula tivesse sido cassado, o que é bem provável que em qualquer país decente do mundo acontecesse, ele se mataria. Tinha que se matar, não havia outra decisão. O poder, ao mesmo tempo em que dá poder, e talvez por isso mesmo, dá um vazio tremendo. O presidente tem pavor de vazio, “garrou trauma” depois de ter passado a infância toda com um enorme vazio, na barriga. Ele não iria agüentar outro.

Lula não é o único feio desse páreo eleitoral. O Geraldo é feio também, só que é uma feiúra arrogante, e consertável. Alguém precisa falar com o Geraldo, com aquele nariz ele não consegue ser presidente nem da ong das empada. É um nariz que dá medo, meio pinóquio, e por causa disso, o eleitor começa a fazer um monte de analogias.

Continue, já que não tem outra opção mesmo, a ser feio, Lula. A história mostra que presidentes bonitos são os que mais penam: Clinton nos EUA e os escândalos “orais”; Collor e as despesas da Casa da Dinda pagas pelo nosso bolso; e Kennedy, o mais bonito de todos e que acabou... assassinado. Agora vejam: Hugo Chaves o populista. Fidel o cara que está a mais tempo no poder. Evo Morales e o “petróleo é nosso”. E Lula, que não roubou nada, e sai de mãos dadas com o povo.

Melhores CDs 2006

Mombojó (Homem Espuma) - Depois de lançar o excelente “Nada de Novo”, o grupo recifense Mombojó se viu diante do desafio do segundo CD. Como é normal acontecer, o novo trabalho não agradou a todos. Não será na primeira audição que vai se gostar de “Homem Espuma”, é um CD difícil. As letras estão mais simples; a sonoridade aprimorada. O vocalista do Mombojó, Felipe S, não abriu mão do sotaque nordestino, que incomoda alguns. Os elementos eletrônicos, que foram a “cereja” do Nada de Novo, continuam em Homem Espuma, mas estão mais discretos. O CD começa mal, com um desnecessário e pretensioso recado da banda na faixa “O Mais Vendido”: “Não quero ser o mais vendido, nem quero falar só com seu ouvido, eu quero entrar no seu coração”. O CD só engrena na quarta faixa, “Realismo Convincente”, que ao lado de “Tempo de Carne e Osso” e “Vazio e Momento”, são as melhores de “Homem Espuma”.

terça-feira, agosto 22, 2006

Tribos

Os emos só gostam de emos porque acham o resto das pessoas insensíveis, preconceituosas e enrustidas (liberem suas emoções!). Os indies só gostam de indies porque acham o resto do mundo um bando de idiotas (como podem não conhecer aquela banda tcheca?). Os metaleiros só gostam de metaleiros porque o resto é um bando de frouxos (e porque são fanáticos, é verdade). Os mods acham os outros três no jardim de infância para um dia ser mod (os indies pensam o mesmo sobre os emos). Os metaleiros acham um pecado não gostar de solos de três minutos. Os emos precisam de uma razão para viver, e só existem enquanto emos.

Fico abismado, puto da minha cara, com a fakesa dos emos, as porcarias das bandas que eles ouvem. Fico xiita da vida com os carões dos indies, com o jeito eu-sou-melhor-do-que-todo-o-planeta, com a falta de educação, e com o manjado ar blasé. Fico revoltado da vida com o radicalismo dos metais. E ainda tem os hippies (sim, eles sobrevivem, e ainda com o mesmo slogam), os novos hippies, os pagodeiros, os psys...

A maioria dessas tribos não sobrevive depois que as pessoas viram gente, ou melhor, sobrevivem, essas pessoas é que quando crescem não participam mais. A transformação comportamental que mais tenho curiosidade é saber o que serão os emos daqui a 15 anos. Os indies são mais previsíveis, vão continuar sendo indies, mas os interesses irão mais longe do que apenas música. Os metaleiros vão descobrir Mutantes e dizer “meu, isso é muito psicodélico” (ai, tem os psicodélicos também).

É possível que todos tenham uma profissão, mas acredito que os indies serão os mais ferrados. Eu não contrataria um indie para minha empresa, para quê, para ele achar que o mundo é uma bosta por ele não ser o chefe, que é a coisa mais absurda alguém que gosta de Elliott Smith e Fiery Furnaces ser empregado, para fazer cara de nojo o tempo todo e querer me ver morto? Não, não.

E pensar que na década de 60 no Brasil, basicamente, ou um jovem era revolucionário ou era reformista.

Melhores CDs 2006

Mais um CD da lista:

The Fiery Furnaces (Bitter Tea) - O último CD do The Fiery Furnaces, “Bitter Tea”, é louco, no melhor sentido do termo. As músicas trocam com freqüência de sincronia, mudando climas a todo o momento. O trabalho é experimental, mas não leia como chato, ao contrário, é extremamente divertido e dinâmico. Cada faixa parece complementar a anterior. Algumas músicas soam orientais. Destaque para “I'm In No Mood”, “Bitter Tea”, e “Benton Harbor Blues Again”.
E se você quer se matar, ou está hesitando em, tem que ouvir essas duas:

Glommy Sunday – Essa já foi regravada por trocentas pessoas e proibida em trocentas rádios por que diz que tinha muita gente tirando sua própria vida matando a si próprio por causa dela.

Manic Street Peachers – The Everlasting

Essa é perfeita, genial, arrasadora, e aquele monte de adjetivos clichês para definir uma música que esse blog adora.

Tem também “Goodbye Cruel World” do Pink Floyd, mas aí já é apelação.

Play!

Músicas que vocês têm que escutar porque eu to mandando:

Belle and Sebastian - I don't love anyone

Só um pedacinho aqui:

I don't love anyone
You're not listening
You're playing with something
You're playing with yourself
I don't love anyone
You're not listening even now
You're playing with something
You're playing with someone else....


Belle and Sebastian – Expectations

Monday morning wake up knowing that
You've got to go to school
Tell your mum what to expect
She says it's right out the blue
Do you want to work in Debenham's'
Cause that's what they expect....

É uma historinha, tem que ouvir inteira!

Como deu para perceber, meu dia foi regado a Belle and Sebastian.

Engole essa

A propaganda institucional da Record “Tudo Acontece Aqui” é simplesmente ridícula, de uma pieguice que dá pena. Virou moda mostrar índio em propaganda para dizer que é democrático. E mais uma vez a emissora tentando copiar a Globo, qualquer semelhança com o “A gente se vê por aqui” não é mera coincidência.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Tevez, vai embora!

Tevez é um sacana. Nunca teve nem aí para o Corinthians. A fiel sempre teve aí pro Tevez, é o grande ídolo da torcida. Não importa que o argentino continue cuspindo no prato que comeu, ele é o Tevez! Se ele ameaça ir embora, a torcida cai diante de seus pés e perde perdão: “Não vai oh Tevez, a fiel precisa de ti”.

Não existe fenômeno parecido no futebol brasileiro, esse ainda precisa ser estudado. Um jogador com privilégios, que não gosta muito de treinar, não gosta muito de obedecer a ordens, não gosta muito do clube em que joga, nem do país, nem da torcida, nem dos companheiros, e ainda assim é amado: ele é o Tevez! Falou tudo que falou, mandou a torcida calar a boca e as manifestações contrárias foram muito tímidas, escassas, quase imperceptíveis.

A maneira como a imprensa cobre o caso é ainda mais irritante. Se tiverem paciência assistam os programas esportivos do meio-dia. Cada um deles dedica metade do seu tempo à novela “Tevez, c vai ou c fica?”. E são todos de uma ladainha, melosos que chegam quase a dar diabetes. Já virou clichê, que nem o blog, a imprensa iniciar textos que falem do argentino com “Tevez, o grande ídolo da fiel...”. A imprensa consegue amar o Tevez ainda mais do que a torcida. “Mas ele é argentino gente!”, que isso, ele é o Tevez!

Agora parece que o Tevez vai mesmo, não apareceu para treinar hoje e não está relacionado para o próximo jogo. Adivinhem qual será a principal manchete da maioria da imprensa esportiva: “Corinthians pode ficar órfão do seu grande ídolo”. E eu da minha paciência.

Melhores CDs 2006

Vai aqui o comentário de mais um bom CD lançado neste ano:

Arctic Monkeys (Whatever People Say I Am, That's What I'm Not) - Logo no primeiro CD, o Arctic Monkeys entrou para a história: “Whatever People Say I Am, That's What I'm Not” foi o disco de estréia mais vendido na primeira semana, na Inglaterra, com a marca de 360 mil cópias. O semanário inglês New Music Expresses elaborou uma lista com os dez CDs mais importantes da história. O CD do Arctic Monkeys aparece em quinto, na frente de Revolver, dos Beatles, que ficou em nono. No mínimo duvidoso. A banda é legal, divertida, mas não é para tanto.
Destaque para a faixa “A Certain Romance”.

domingo, agosto 20, 2006

Melhores CDs 2006

Para não deixar o post muito grande fazendo com que você não termine de lê-lo, vou publicar diariamente o comentário de um CD da lista dos 10 melhores do ano. Começa hoje, amanhã tem mais:

Two Gallants ( What the Toll Tells) - A banda indie americana Two Gallants tem quatro anos de carreira e dois excelentes CDs. “What the Toll Tells” é melhor do que o primeiro álbum da banda, “The Throes”. Destaque para as faixas “Steady Rollin” e “Long Summer Day”.
Tão logo eu comentei que achei o novo CD do Charlatans simpático minha caixa de email lotou com mensagens de leitores indignados. “O meu rei, como pode ter achado aquela reggeara boa?”, argumentou José Paulo da Silva, de Bahia. “Aqui, vc só pode ta com algum problema, sacou?”, Agusto Migué, do Rio. “Mas bah, esse CD é pior do que o time do Grêmio aquele”, Rafael, do RS. “Eu não gostei do novo cd ta, achei muito ruim ta”, Lu EMO, de Curitiba. Simpático pode não ser o melhor CD do Charlatans, mas vocês precisam ouvir com menos preconceito.
Essa semana a acariciar os ouvidos:

*The Servat - I Can Walk In Your Mind
*Graham Coxon - I Can't Look At Your Skin
*The Charlatans - For Your Entertainment (simpático esse novo CD do Charlatans)
*The Go-Betweens - Head Full of Steam
*J Mascis and The Fog – All The Girls
*Ours – Fallen Souls
*My Morning Jacket – Gideon
*Glommy Sunday
*Ween - I Can't Put My Finger On It
*Paulo Sérgio - Desiludido
Vou importar algumas mensagens do antigo blog, só para dar um enchida nisso aqui.

Brog novo!!

Esse é o novo blog do antigo dono do blog Amemock. O amemock já era, deu uns problemas. Eu, vocês sabem, sou o Guilherme, aquele rapaz tímido que estuda (segundo a base de dados da Unicentro) jornalismo. Dizem que é aconselhável falar um pouco de si quando se cria um blog. Eu não fiz isso no antigo; não espere muita coisa nesse, vou ser breve: sou santista, filho da dona Gisele, neto da dona Araci, primo daquela modelo famosa de mesmo sobrenome, éé, a Marcelle Bittar! Primo também do Diogo, Mariah, Bruna, Brenda (queridos primos, hehe), sobrinho da Eliane, Cristine, Márcia (as tias básicas, não dá para fazer a árvore genealógica né), e irmão da Aline – uma menininha encrenqueira.
Quando tinha 11 anos me desviei do caminho cristão ensinado pela minha mãe. Não quis nem saber. Fumei um cigarro. Um ano mais tarde bebi um negócio estranho, era amargo, descia queimando. Minha tia Eliane tinha viajado, aí eu com meu primo experimentamos um whisky que tinha no bar da casa. Eu não gostei nada daquilo, era bem melhor a espuma da cerveja que eu tomava do copo do meu pai. Depois, bem, depois eu nunca botei um pingo de alcóol na minha boca, em dias santos, de manhã vendo F1, e antes de ir para aula. Calma, essa história não acaba num AA. Deixemos a parte negra de lado.
Uma vez com meu primo (de novo ele) roubamos o carro da garagem da minha casa. A gente tinha 14, 15 anos. Foi bem emocionante. Eu não sabia dirigir, mas fui me virando, quase virei o carro numa casa em frente à Rua do Jordão. Mas saímos ilesos. Do carro já não se pode falar o mesmo. Depois que o desligamos para abrir o portão da garagem e recolhê-lo e tentamos ligá-lo de novo, o bichinho não funcionava de jeito nenhum. Teve que ir no empurrão mesmo.
Não preciso dizer mais nada. Essas duas historinhas revelam toda minha personalidade, é só fazer as analogias, veja: roubar carro sem saber dirigir: prepotente, arrogante, autoconfiante. Fumar com 11, beber com 12: rebelde, precoce, idiota. Roubar o whisky da casa da tia: mal educado. Mas quando eu tinha 14 anos lavei a louça para minha mãe. Sempre faço massagem na minha avó, aliás, sou o neto mais amoroso, os familiares vão contestar, mas não tem conversa: só eu faço massagem, chamo de vóva, e véia do meu coração.
Bem, não lembro de toda minha vida agora, o que é muito bom, nem de histórias mais interessantes. Prometo não mais o importunar com essas histórias da vida privada. Vamos falar dos outros que é muito melhor!