Eu Sou Clichê

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Imperdível!!!

Em breve o blog publica entrevista com arranjador, instrumentista, compositor etc – bota mais um etc por atacado – Eumir Deodato, que tem no currículo trabalhos com Frank Sinatra, Bjork e Kool and the Gang, a banda de funk mais “balancê” da década de 60.

Reforço

Johnny Marr voltou a acertar o braço. O resultado pode ser conferido no novo álbum do Modest Mouse. Para quem não sabe, Johnny, formador dos Smiths, com Morrissey, passou a integrar a banda e participou da concepção do último CD. O Modest Mouse, que já era boam antes de Johnny, ganhou ainda mais nos riffs de guitarra. Prova disso está nas faixas March Into The Sea, Missed The Boat e Dashboard.

domingo, novembro 25, 2007

A acariciar os ouvidos nesta semana

Até pegar ritmo de jogo vamos apelar para aquele esquema basicão trilha sonora da semana, que serve como dica de downloads caso você ainda não tenha ouvido, ou como carimbo de que o signatário tem mesmo um péssimo gosto musical. Você decide.


1. "Kool and the Gang - Jungle Boogie”. Eu ando numa onda soul/funk. Mas sempre tive uma queda por riffs marcantes, linhas de baixo swingadas e vocal gritado e irreverente. Além disso, em termos de solo de metais, só a comparo com Sir Duke do Stevie Wonder. Interessante é que ao ouvir o Kool percebe-se que o que Rapture faz hoje eles faziam há 40 anos, só que usando metais em vez de sintetizadores.


2. The incredible bongo band - Let There be Drums”. O Bongo é uma daquelas bandas de funk esquecidas, que por isso integram o chamado deep funk. Energia pura, tambores, impacto certo. O som dos espíritos.


3. “Grinderman - Don't Set Me Free”. O Grinderman é novo projeto do Nick Cave, lançado neste ano. A melodia lembra Modern Lovers, principalmente pelo vocal displicente. E tem uma riffsão de baixo de respeito.


4. “James Brown - Get Up (I Feel Like Being A) Sex Machine”.
Isso mesmo, qual o problema? Independente da escolha óbvia por se tratar de James Brown, o cara é incrível. Imortal, diria. Ainda tenho minhas dúvidas de que ele tenha sido enterrado. De todo modo, com o balanço que tinha com certeza o mais apropriado seria entregar-lhe as chamas de um crematório.


5. “The Monkees - I'm a Believer”.
Clássico dos anos 60, que fala de nostalgia, desilusão amorosa, ressentimento e de que como tudo mudou quando ele viu o “rosto dela".


6. Curtis Mayfield – Pusherman”. Arranjos finos, meticulosos e envolventes. E aquela sedutora linha de baixo, aliada uma guitarra birrenta que dá a resposta. Tudo isso ao embalo do vocal e letra sensual do mestre.


7. The Divine Comedy – Irônica e fofa. Há quem diga que isso não é possível , mas o Divine consegue manter esse clima de cabaré sem perder a elegância; e sem virar piada, o que é melhor.

P.s. Fiz questão de não incluir nada de rock na lista, principalmente do “novo rock”, que nem mais é tão novo assim. Andamos cansados de músicas covers umas das outras, da indiezada sisuda, desiludida com a vida e com os atrasos das linhas de ônibus e do pessoal fã de uma banda só, normalmente da época em que Dercy Gonçalves menstruava.
Este foi apenas um desabafo ressentido. Vai se acostumando, fim de ano estressante mexe com o humor das pessoas. Até a próxima.

De volta

Depois de um tempo inativo, o eusoucliche volta à ativa, com o teclado estragado (sem o circunflexo), mas tudo bem. De agora em diante, a legião de leitores que havia ficado órfã poderá contar novamente com companhia deste agradável signatário. Boa navegação!

domingo, março 18, 2007

Abaixo, texto publicado pelo colunista da Folha de São Paulo, Nelson Motta, na última sexta-feira.


Fora do ar

O controle remoto está cheio de canais de televisão municipais, estaduais, federais, judiciários, legislativos, educativos e culturais espalhados pelo Brasil, a um custo fabuloso.
Quase todos são cabides de empregos, com programação pífia e audiências que somadas não chegam a um ponto de share. Dividindo as despesas pelo número de beneficiários, deve ser um dos custos per capita mais altos do mundo. Com os gastos para chegar a tão poucos espectadores, daria para lhes dar comida e computadores em vez de programas chatos.
A maioria absoluta dos programas desses canais poderia dispensar as antenas e ser apresentada em circuito fechado aos seus escassos espectadores, num bar ou num ônibus. Sairia mais barato do que colocar no ar.
É ótimo para a democracia que se possam acompanhar as sessões da Câmara e do Senado. Mas ninguém precisa das "programações culturais", ou pior, "jornalísticas", desses canais que só se vêem quando pega fogo o circo das CPIs.
Quando o governo, qualquer governo, desde os militares, fala em rede pública de TV, a idéia é sempre "oferecer opções" (as deles) ao público, dominado pelos interesses das TVs privadas, que só pensam em ganhar dinheiro.
Os sábios acham que o povo é bobo e só vê Globo, Record, SBT e Band porque não tem nada melhor. Mas, quando essas mentes iluminadas se metem a dar "algo melhor" à massa, a audiência é traço. Mas a conta é alta, paga por todos nós.
O custo previsto da RPTV, que certamente se multiplicará ao longo dos anos, é de R$ 250 milhões de nossos impostos, abrindo centenas de novos empregos públicos para amigos e correligionários que não conseguem trabalho em emissoras melhores.
Mas para que serve mais uma TV que não se vê?

terça-feira, março 06, 2007

Yeda Crusius no Roda Viva

O que deu para fisgar da entrevista da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, ontem, ao programa Roda Viva é que ela é, no mínimo, leviana, bastante inconsistente, e insuportavelmente prolixa.

Yeda se enrolou ao tentar explicar o motivo de sua ida ao EUA nos próximos dias. Ela, na verdade, não sabe exatamente qual o motivo da viagem e do encontro com o procurador-geral Alberto Gonzáles, mas sabe que o tema é segurança. Primeiro disse que o governo americano ofereceria tecnologia; aí já era apoio logístico; beirou um pouco pelo lado de um estudo acadêmico sobre como funcionam as coisas lá. E terminou como um ‘quebra-galho’ mesmo: já que vai até lá dar palestra, não custa nada conversar com o procurador. “Eu vou lá para escutar. Eles é que estão dizendo que há uma política nova. Quero estudar nos EUA. Eles têm uma legislação diferente. Vou fazer uma palestra na Liga das Mulheres e quero aproveitar para falar com o procurador-geral”.

Complicou-se ao falar da diminuição da maioridade penal. Disse que era contra, só não soube dizer por quê. Mas tentou, chegou a declarar que isso é “um problema de saúde mental que leva à violência, um problema que às vezes vem lá da gestação, e que a neurociência explica isso”.

Depois veio a patacoada do seu novo plano de segurança. Trata-se de uma polícia diferente, com uma forma de abordagem alternativa, que dialogue com a população, e essa ‘limonada’ toda que o Requião tentou fazer aqui no Paraná. Se saísse como ele dizia nos comícios lá dos idos de 2002 funcionaria assim. “Os policiais, ao encontrarem um jovem bêbado, drogado, ou cometendo delitos leves, o levaria para casa e passaria a mão em sua cabeça, em vez de tratá-lo de maneira hostil. Seriam um amigo dos moradores, que veriam neles verdadeira proteção”.

Yeda mostrou-se incoerente e fugidia o tempo todo. Não dá para acreditar em alguém que durante a campanha pregou a diminuição dos gastos do governo e, ontem, declarou ser contra o Estado mínimo, e o fez com uma convicção que denotava que tal idéia beirava o absurdo. Todos nós sabemos que, na prática, o que acontecerá é o inchamento cada vez maior do Estado e dos gastos públicos, vício nefasto da política brasileira.

A “social-democrata” vai ser só mais uma que vai passar por lá, ainda que menos desastrosa que gestões petistas. O problema é dos gaúchos, eu como paranaense tenho um pior: é rosado, gordo, não ouve ninguém e é tremendamente mal-educado. Não é um porco; quase isso.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

“Eu dou um infarto”

Embora haja gente que afirme que fazer o bem é de mau gosto, a filantropia é praticada, em maior ou menor grau, por muitas pessoas. Cada um ajuda como pode, é que nem dízimo. Há pessoas que se dedicam mais, que compram uma causa. Quem acompanha o Big Brother Brasil 7 teve a oportunidade de ver o surgimento de uma idéia pioneira, idealizada por uma pessoa que se encaixa muito bem nesse último grupo. A perspicaz candidata SIRI declarou aquela que tende a ser a nova onda da filantropia mundial: “Eu dou um infarto”. Ong’s de todas as regiões do país ligaram para a Central Globo buscando informações mais detalhadas sobre o assunto assim que receberam a notícia, mas “não lograram êxito”, uma vez que as regras do programa não permitem troca de informações com os brothers .

Naturalmente, quem viu sentiu. Afinal, não é qualquer pessoa que se disponibiliza a dar um infarto. Infelizmente SIRI não disse para quem daria o infarto, e muita gente ainda está aflita por causa disso, na expectativa de quem será o felizardo. Quem quer que seja, nós brasileiros agradecemos desde já. Fica a lição de que nem tudo está perdido, que ainda há pessoas de bom coração – dispostas a abrir mão dele por uma causa justa.

Os outros participantes do BBB não têm a mesma generosidade. O máximo que dão é um vômito de vez em quando, e isso quando bebem muito, porque daí pobre acha que é rico e começa dar coisas que não pode. Mas dar vômito pode, nem custa tão caro assim e o esforço é recompensado de véspera, antes do fim (não) pretendido.

Mais uma vez o BBB mostra sua inegável utilidade pública. É de exemplos como esses que os brasileiros precisam. Ser brasileiro não é apenas não desistir nunca, ser brasileiro é também dar um infarto, ou quantos queiram, a não ser que opte apenas por um, só que de maior qualidade – um fulminante, por exemplo.

É uma pena notar que persistem as acusações (vindas de gente de má fé, é claro) de que os brasileiros são incultos. Maldade com esse honesto e religioso povo. Pode-se afirmar, com pequena margem de erro, que o protótipo do brasileiro está representado no BBB – programa especialista em recrutar os cérebros mais efervescentes da nação. Na hora de escolher o vencedor do programa, o brasileiro prova, acima de tudo, que tem bom senso. Como esquecer dá contribuição deixada por Kléber Bam-Bam, Dhomini, Cida, e Mara?

SIRI, graças a Deus, é uma das favoritas ao prêmio de R$ 1 mi dessa edição. Benevolência e inteligência: Big Brother Brasil.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Caetano apaixonado

Caetano Veloso está apaixonado. Pelo Bob Dylan. Ele viu esses tempos um documentário sobre o tal beat, aquele do Scorsese, “No Direction Home”. Amor à primeira vista. Nessa mesma época um amigo lhe apresentou uma banda. Pixies. Caetano olhou e disse: “Isso é muito legal... quero engendrar um novo CD a partir disso”. E engendrou: “Cê”.

“Ce”, antes de tudo, é surpreendente. Guitarra indie, letras que falam sobre sexo, mucosas, avião e rata. Influências que vão dos já citados Bob Dylan e Pixies a Sex Pistols. A máxima, em grande parte verdadeira, de que Caetano faz discos chatos para pessoas chatas tem que ser posta um pouco de lado em relação a esse novo trabalho. Apesar das “caetanices” que persistem, de um “engendrado”, de uma “errática”, e outros termos meio forçados, o CD é bom. E pervertido, cheio de duplos sentidos. Tipo, “veio um golfinho do meio do mar roxo/ veio sorrindo pra mim”; “vi você crescer/ fiz você crescer/ vi cê me fazer crescer também/ pra além de mim”; “você foi mor rata comigo”. Boa é essa parte: “veio a maior cornucópia de mulheres/ todas mucosas pra mim”.

Letras a parte, fica claro que “Ce” é CD de produtor. E que o produtor entende bem mais de música do que o Caetano. Talvez esteja aí o mérito do álbum; o produtor (na verdade são os produtores, um deles filho do Caetano) parece ter boas influências musicais, conhece o Velvet Underground e Lou Reed e, não contente em apenas conhecê-los, plagiou os primeiros acordes de “Walk On The Wild Side” na música “Não me Arrependo”. O CD é descarado mesmo, o começo de “Outro”, é quase “Blister In The Sun” do Violent Femmes. “Rocks”, acreditem, é “Girassol” do Ira.

No seu último álbum, “A Foreign Sound”, Caetano quis parecer moderno e acabou consolidando ainda mais sua cafonice. Em “Cê” o cantor parece ter dado a volta por cima e conseguiu – pelo menos no instrumental –, senão soar moderno, não soar cafona.

*não deixe de ouvir “Outro”, “Odeio”, e “Rocks”.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Altas maracutaias

Essa maracutaia para cima do PT sobre as maracutuais que o PT estava fazendo ao elaborar dossiê contra os tucanos é tudo uma grande maracutaia. Bem disse Tarso Genro, o menino de recados do presidente: fala-se muito sobre a origem do dossiê e nada sobre o conteúdo do dossiê.

O dossiê de 1,7 mi é o “fato novo” que todos os analistas políticos estavam afirmando como única chance de haver segundo turno. Será que agora vai Alckmin?