Eu Sou Clichê

quarta-feira, setembro 20, 2006

Altas maracutaias

Essa maracutaia para cima do PT sobre as maracutuais que o PT estava fazendo ao elaborar dossiê contra os tucanos é tudo uma grande maracutaia. Bem disse Tarso Genro, o menino de recados do presidente: fala-se muito sobre a origem do dossiê e nada sobre o conteúdo do dossiê.

O dossiê de 1,7 mi é o “fato novo” que todos os analistas políticos estavam afirmando como única chance de haver segundo turno. Será que agora vai Alckmin?

quinta-feira, setembro 07, 2006

Só mais uma dessas bandenhas

Eu estava pensando aqui com meus botões. O Gram seria uma boa banda se não falasse tanto de amor, relacionamentos, e luz. As melodias são boas, mas as letras péssimas, às vezes rococós, num mimetismo capenga de tentar soar Los Hermanos (o que não é lá muito edificante para uma banda).

O problema da maioria dessas bandas de hoje não é só serem todas iguais; é falarem tanto de amor. Tudo que tinha para ser falado de amor em música já foi falado. Uma faixa ou outro num CD até se perdoa, mas agora quase um álbum completo com a mesma ladainha é frustrante. A impressão que fica é que o Gram desperdiçou boas melodias com letras que não falam absolutamente nada nas 10 faixas que compõem o único CD da banda. Letras que entram por um ouvido e saem pelo outro e o máximo que fazem neles é provocar um coceirinha de desaprovação. A letra melhorzinha é “Seu Troféu”, a música lembra um pouco Muse.

Cantar em português não é fácil; também não é justificativa para versos mal feitos. O Gram cantava em inglês. Através de um silogismo simples (brasileiro não entende inglês, entende mais ou menos português, portanto, vamos cantar em português) a banda entendeu que o melhor era optar por cantar na língua nacional. Dessa sacação surgiu versos quengos como esses: “De onde vem esse anjo? / Com quem sonhei?”; “Bem atrás da casa havia uma / Linda flor, você nem viu...”; e “Pra vê-la em minha mão cantei / Minha melhor canção”, no melhor (ou pior) estilo Los Hermanos.

Então que seja no primeiro

Lula tem 51% das intenções de voto, segundo última pesquisa do Datafolha. O eleitor quer que Lula ganhe no primeiro turno. O eleitor é pragmático: não quer ser obrigado a votar duas vezes. Que se vote no Lula, portanto, e acabe de uma vez com o martírio.

Os eleitores estão cansados, 68% deles estão entre “mais ou menos interessados” e “nenhum pouco interessados” nas eleições e, 67% não votariam se não fossem obrigados – de acordo com pesquisa do Ibope publicada na edição mais recente da Veja.

Paira na cabeça das pessoas a impressão (nenhum pouco absurda, é verdade) de que tudo vai ser sempre igual, político é tudo ladrão, e ladrão por ladrão que se fique com Lula, carismático e de origem pobre (a origem pobre é de extrema importância, serve de alento para milhares de outros pobres desse país). Para o eleitor, é um ultraje ser obrigado a votar em qualquer um dos “pulhas” que são candidatos.

Alguns começam a ter a impressão de que tudo é uma grande piada, um circo. E sentem que o palhaço da estória, são eles próprios. Não se interessar pelas eleições é refutar a piada de mau gosto. É dar um grito de não inocência. Não se interessar já não pode ser revidado com críticas de que não é politizado. Não ser politizado é uma demonstração de “esperteza”. É grave, mas o eleitor não pode ser culpado por pensar assim.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Pesquisa

Eu acabo de participar de uma sondagem eleitoral, realizada por uma empresa de sigla estranha, que disse prestar serviço ao Ibope. Ok, não fiz muitos questionamentos e respondi as perguntas:
-Em quem o senhor votaria para governador se as eleições fossem hoje?
- Não sei.
- Em qual dos candidatos o senhor votaria: Requião, Osmar, Arns, Rubens Bueno?
- Como disse, não sei.
- O senhor poderia votar ou não votaria no Requião?
- Poderia.
- E no Osmar?
- Poderia.
- Rubens Bueno?
- Também
- Arns?
- De jeito nenhum.
Perguntado sobre em quem votaria para presidente, respondi que no Alckmin (me senti na obrigação de dar uma ajuda pro tucano e botar um pouco de fogo nessa marasmática eleição). Não satisfeita a moça da pesquisa insiste: - Lula, Alckmin, Cristovam, HH, em que você votaria se as eleições fossem hoje? - Alckmin minha filha, Alckmin.
Foi a primeira pesquisa eleitoral que respondi. Por alguns instantes, tive a sensação de que o rumo das eleições estava única e exclusivamente em minhas mãos. O “obrigado senhor Guilherme” acabou com meus devaneios.