Eu Sou Clichê

domingo, março 18, 2007

Abaixo, texto publicado pelo colunista da Folha de São Paulo, Nelson Motta, na última sexta-feira.


Fora do ar

O controle remoto está cheio de canais de televisão municipais, estaduais, federais, judiciários, legislativos, educativos e culturais espalhados pelo Brasil, a um custo fabuloso.
Quase todos são cabides de empregos, com programação pífia e audiências que somadas não chegam a um ponto de share. Dividindo as despesas pelo número de beneficiários, deve ser um dos custos per capita mais altos do mundo. Com os gastos para chegar a tão poucos espectadores, daria para lhes dar comida e computadores em vez de programas chatos.
A maioria absoluta dos programas desses canais poderia dispensar as antenas e ser apresentada em circuito fechado aos seus escassos espectadores, num bar ou num ônibus. Sairia mais barato do que colocar no ar.
É ótimo para a democracia que se possam acompanhar as sessões da Câmara e do Senado. Mas ninguém precisa das "programações culturais", ou pior, "jornalísticas", desses canais que só se vêem quando pega fogo o circo das CPIs.
Quando o governo, qualquer governo, desde os militares, fala em rede pública de TV, a idéia é sempre "oferecer opções" (as deles) ao público, dominado pelos interesses das TVs privadas, que só pensam em ganhar dinheiro.
Os sábios acham que o povo é bobo e só vê Globo, Record, SBT e Band porque não tem nada melhor. Mas, quando essas mentes iluminadas se metem a dar "algo melhor" à massa, a audiência é traço. Mas a conta é alta, paga por todos nós.
O custo previsto da RPTV, que certamente se multiplicará ao longo dos anos, é de R$ 250 milhões de nossos impostos, abrindo centenas de novos empregos públicos para amigos e correligionários que não conseguem trabalho em emissoras melhores.
Mas para que serve mais uma TV que não se vê?

terça-feira, março 06, 2007

Yeda Crusius no Roda Viva

O que deu para fisgar da entrevista da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, ontem, ao programa Roda Viva é que ela é, no mínimo, leviana, bastante inconsistente, e insuportavelmente prolixa.

Yeda se enrolou ao tentar explicar o motivo de sua ida ao EUA nos próximos dias. Ela, na verdade, não sabe exatamente qual o motivo da viagem e do encontro com o procurador-geral Alberto Gonzáles, mas sabe que o tema é segurança. Primeiro disse que o governo americano ofereceria tecnologia; aí já era apoio logístico; beirou um pouco pelo lado de um estudo acadêmico sobre como funcionam as coisas lá. E terminou como um ‘quebra-galho’ mesmo: já que vai até lá dar palestra, não custa nada conversar com o procurador. “Eu vou lá para escutar. Eles é que estão dizendo que há uma política nova. Quero estudar nos EUA. Eles têm uma legislação diferente. Vou fazer uma palestra na Liga das Mulheres e quero aproveitar para falar com o procurador-geral”.

Complicou-se ao falar da diminuição da maioridade penal. Disse que era contra, só não soube dizer por quê. Mas tentou, chegou a declarar que isso é “um problema de saúde mental que leva à violência, um problema que às vezes vem lá da gestação, e que a neurociência explica isso”.

Depois veio a patacoada do seu novo plano de segurança. Trata-se de uma polícia diferente, com uma forma de abordagem alternativa, que dialogue com a população, e essa ‘limonada’ toda que o Requião tentou fazer aqui no Paraná. Se saísse como ele dizia nos comícios lá dos idos de 2002 funcionaria assim. “Os policiais, ao encontrarem um jovem bêbado, drogado, ou cometendo delitos leves, o levaria para casa e passaria a mão em sua cabeça, em vez de tratá-lo de maneira hostil. Seriam um amigo dos moradores, que veriam neles verdadeira proteção”.

Yeda mostrou-se incoerente e fugidia o tempo todo. Não dá para acreditar em alguém que durante a campanha pregou a diminuição dos gastos do governo e, ontem, declarou ser contra o Estado mínimo, e o fez com uma convicção que denotava que tal idéia beirava o absurdo. Todos nós sabemos que, na prática, o que acontecerá é o inchamento cada vez maior do Estado e dos gastos públicos, vício nefasto da política brasileira.

A “social-democrata” vai ser só mais uma que vai passar por lá, ainda que menos desastrosa que gestões petistas. O problema é dos gaúchos, eu como paranaense tenho um pior: é rosado, gordo, não ouve ninguém e é tremendamente mal-educado. Não é um porco; quase isso.